No antiquário eu negociei o tempo
Série fotográfica
desenvolvida no 1º Programa de Residência Artística do Valongo | Festival Internacional da Imagem
Curadoria de Diane Lima
Santos-SP, 2018

       

Em 2018/2, durante a residência artistica que desenvolvi no Valongo - Festival Internacional da Imagem, parambulei pela cidade de Santos-SP e tive algumas de minhas piores experiências com o racismo.
Uma delas aconteceu nesse antiquário, propriedade de uma maricona branca que tentou me enganar sobre a origem de algumas mascaras que fiquei interessada em comprar. 

A maricona primeiro me disse que os objetos haviam sido produzidos em Africa. Desconfiei e continuei a conversa com alguns questinamentos, fui conduzindo o gay branco a dizer a verdadeira origem dos objetos. Após não sustentar a mentirá de sua origem africana, ele me disse que as mascaras haviam sido feitas por uma africana que havia trazido para o Brasil de presente a ele. Após, disse-me que a africana as produziu em terras brasileiras. E por fim, assumiu que elas foram fabricadas por crianças que participaram de uma de suas oficinas sobre arte como papel machê. 

Santos é uma cidade cheia de antiquários, e la aprendi como a cronologia do objeto transforma-se em capital.  Os antiquarios santistas são propriedades museológicas dessa branquitude paulista litorânea que detem o monopólio do capital e manuseiam histórias numa direção - da mentira - que possibilita a colonialidade continuar acontecendo. No antiquario negociei o tempo cronológico porque as mascaras ficaram mais baratas quando o gay branco confessou uma origem para o objeto que não estava localizada em Africa. Mas agora pouco me importa  sua origem, porque entendi que nunca houve garantia que algumas de suas palavras fossem verdadeiras. 

Nessa negociação ele ganhou dinheiro e eu construi minha ancestralidade africana Bantu. Eu perdi tempo, e ganhei circularidade. 
 

Castiel Vitorino Brasileiro
Série fotográfica "No antiquário eu negociei o tempo"
Fotografia digital
297mmx 420 mm
Santos
2018



Produção Castiel Vitorino Brasileiro e Davi de Jesus do Nascimento 
Acompanhamento curatorial: Tarcísio Almeida