Comigo-ninguém-pode
Instalação
Exposição território, Casa Porto das Artes Plásticas
Vitória, 2018




Durante o período expositivo de 73 dias, criei condições que possibilitasse a vida dentro da galeria.


Coloquei um vazo com plantas vivas dentro da galeria da Casa Porto das Artes Plásticas. A planta - assim como meu corpo - não é arte, pois sua matéria antecede e independe da existência deste campo de saber. Mas, a manipulação dessas vidas pode vir a ser arte. Cabe ao sujeito artista que produz a manipulação escolher utiliza-la com/como ferramentas da arte, e eu decide que sim.

Escolhi trabalhar minha efemeridade dentro de um espaço que almeja assegurar a infinitude de seus objetos; não sou um objeto, como então sobrevivo neste território? Me comprometi em, durante 3 meses, criar condições que assegurem a sobrevivência dessas vidas; a minha e a das plantas. Tenho então convocado amigos a me ajudarem a retirar e recolar a vida dentro da galeria.

Toda semana a planta é retirada do cubo branco, pois a biologia e a História da Arte me alertam que as galerias ainda são ambientes que paralisam os movimentos de expansão e modificação que produzem vida; galerias são cemitérios. Com esses deslocamentos, a planta/vida tem interferido na arquitetura que a mortifica, produzindo desconforto em sujeitos e reterritorializações na expografia.

Ao ocupar a galeria com vida de meu corpo-flor, tenho aprendido um pouco mais sobre criação de espaços perecíveis de liberdades e espaços de liberdades perecíveis.


Castiel Vitorino Brasileiro
Comigo-ninguém-pode
Instalação
Vitória
2018




Idealização e organização Natalie Mirêdia e João Victor Coser
Produção e montagem
Castiel Vitorino Brasileiro